quarta-feira, 6 de abril de 2011

A cura

  O filme “Laranja Mecânica” criado num período pós Revolução industrial por Stanley Kubrick narra a história de Alex, um jovem com costumes ultraviolentos, que aterroriza a região onde vive, atitudes que contrariam o ideal da “Cidade Perfeita” - Calípolis - proposta por Platão em sua obra “A República”. A dúvida está em como solucionar o problema da violência.                                                                                                    
   Atos violentos são caracterizados como uma forma de constrangimento físico e moral exercido sobre terceiros. Tais atitudes vão contra o ideal de Platão, que proferia que a cidade ideal como uma sociedade perfeita, onde todos agiam pensando no bem da comunidade.                                                                                                                          
   Segundo Platão:” O homem é dividido em corpo e alma. O corpo é a matéria e a alma é o imaterial e o divino que o homem possuía. Enquanto o corpo está em constante mudança de aparência, a alma não muda nunca.” Ou seja, pessoas que agem contra o ideal da “sociedade perfeita” jamais mudarão.                                                                              
   Certifica-se, também, que pessoas com caráter violento sofrem de um distúrbio cerebral, sendo assim, o tratamento de choque ao qual o protagonista de “Laranja Mecânica” é submetido, não é eficaz, tal disfunção deve ser tratada com medicações, e não com traumatismos psicológicos ao criminoso.                                                                          
    Ainda na obra cinematográfica, verifica-se uma certa influência exercida por Alex perante seus amigos, que são contaminados pela maldade e tomados pelo ódio, em contrapartida com Platão, Freud afirma: “Os homens não são criaturas gentis que desejam ser amadas e que, no máximo, podem defender-se quando atacadas”, com isso, a violência pode ser encarada como algo natural, ou até mesmo cultural dos seres humanos, porém ele cita a violência como uma autodefesa.                                                                  
   A violência exercida por Alexander, mesmo que encarada como algo natural, não é justificável, pois suas atitudes não visavam o bem da sociedade e nem uma autodefesa, sendo assim, o protagonista de “Laranja Mecânica” deveria ser “curado” de seu distúrbio cerebral, mas não com um tratamento traumatizante e pouco efetivo como é o de choque, e sim com medicações e sessões psiquiátricas.  

Danilo Sansão Ribeiro.

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