Oriunda da razão adquirida pelo homo sapiens, a língua é mais do que uma ferramenta de comunicação, ela é um dos fatores que nos retira da condição de meros animais. Além disso, ela é que revela a identidade cultural dos povos, sua deterioração seria uma forma de desrespeito àqueles que lutaram por ela, como foi o caso da história de Policarpo Quaresma , personagem de Lima Barreto.
Nos últimos dias, foram vivenciados embates acerca da aceitação da língua falada como formal, o que, à priori, parece não passar de uma jogada política que colocaria a educação nacional num utópico patamar mais alto, já que segundo o gramático Evanildo Bechara, a língua falada não deve ser ignorada, mas a língua culta é que consegue traduzir as palavras daqueles que escrevem no mundo literário e filosófico.
Juntamente a Bechara, Paulo Freire, em defesa da norma culta, diz: “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Dessa forma, conclui-se que a língua falada mostra-se extremamente funcional numa conversação, o grande problema é que na escrita ela deixa a desejar, é na formalidade que se encontra a imparcialidade na narrativa dos fatos.
A distribuição do volume “Por uma vida melhor” da coleção Viver tem caráter maquiavélico, ou seja, essa decisão coloca os interesses políticos acima da educação nacional para que o Brasil demonstre uma realidade distorcida aos estrangeiros.
Para deixarmos nossa condição precária no mérito educacional, deve-se investir em educação, pois uma desevolução da língua nacional nos traria apenas a perda da identidade cultural brasileira e uma realidade utópica na questão pedagógica do país.